quarta-feira, 15 de junho de 2011

DO «EU SOLITÁRIO»...



O Deus da Bíblia não é uma espécie de “super-potência divina”, orgulhosamente só, satisfeita, por se bastar a si mesma! Não. O Deus que se revela em Cristo e que Se nos revela pelo Espírito Santo, é um Deus que deseja comunicar-se: é abertura, é relação, é dom, é aliança, é família, é comunhão de pessoas!

Se Deus é assim, unidade num diálogo interpessoal, se Deus é assim um «Ser de relação, em relação e para a relação», então toda a pessoa humana, criada à imagem e semelhança deste Deus, é chamada a realizar-se no diálogo, na abertura, no encontro: cada pessoa é um ser em relação e para a relação, um ser de comunhão e para a comunhão. Nenhum de nós é, pois, um «eu solitário», nenhum de nós «é» nada, sozinho ou por si ou para si mesmo. À luz do mistério divino do Amor, a pessoa humana não se realiza numa autonomia absoluta, iludindo-se que é Deus ou que se pode bastar a si própria; pelo contrário, na luz deste mistério divino de comunhão, cada pessoa realiza-se e reconhece-se enquanto filho, criatura aberta, inclinada para Deus e para os irmãos.


... AO «NÓS SOLIDÁRIO»!



E por isso, cada pessoa cresce na medida em que aceita o desafio de renunciar ao «eu solitário», apostado em si próprio, para viver como um «nós solidário», em que o outro goza sempre de prioridade, sobre mim!Rezamos e rezemos à Santíssima Trindade, para não cairmos na tentação do conforto do «amor a dois», que pode tornar-se numa relação de perigosa «conveniência». A inclusão do “terceiro” é o critério de verdade do amor! «O terceiro é aquele que entra na relação entre um e outro e escancara a vida de um e de outro a uma lógica de pura gratuidade. Deste modo, já não sou eu próprio e o meu sentir. Nem conta apenas a satisfação de encontrar no outro, a parte que me falta! O terceiro obriga-me a descolar de mim, a fazer do centro da minha vida, não as minhas necessidades e desejos, mas o dom, a dádiva, o amor” (cf. Tolentino Mendonça)! Só deste modo, por exemplo, o amor conjugal se pode construir, por laços duradouros de mútua pertença e de abertura à vida! Só assim a família humana pode tornar-se o reflexo visível do Amor, que é e que há em Deus, eterna e verdadeira “família divina”!

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