quinta-feira, 29 de abril de 2010

O coração aberto para amar...

Peço-Te, Deus,
A Páscoa repetida
E alargada.
Peço-Te a nova Vida,
A clara madrugada...
Faz de nós filhos teus,
Verónicas e Cireneus!
...
«É meia-noite. E os sinos da Igreja de São Rufino, em Assis, dobram com inusitada energia. O povo inteiro, que trabalhara sol a sol, dormia em Paz. Levanta-se então sobressaltado e reúne-se na praça principal. Que se passa? Um incêndio? Um ataque? A peste? Foi Francisco, [que ainda não era conhecido pelo sobrenome de Assis], quem tocou os sinos e enfrenta agora a multidão expectante. Com o braço estendido, acena o horizonte longínquo e diz-lhes enternecido: "Não vedes que lua tão bela temos esta noite"? E quedou-se extasiado a olhar o Céu. Não contam as crónicas como reagiram aquelas gentes. E tão pouco se trata agora de pôr o despertador para me levantar à meia-noite, para ver como está hoje a lua. Trata-se de me deixar enamorar pela beleza que me rodeia silenciosamente, de apreciar os momentos de emoção artística que me oferece a Vida, de desejar que todos partilhem comigo o gozo inocente e profundo de desfrutar do belo e do bom quando ele aparece no meu caminho, como a lua cheia no horizonte. O coração aberto para desfrutar e partilhar o que se desfruta. Eis o segredo do santo que fala com os pássaros e acaricia as flores e se encanta com o sol. Alerta para discernir a alegria latente nas surpresas do dia e da noite e pronto para convidar os demais a que vejam o que eu vejo e gozem como eu gozo. Despertai, vizinhos de Assis! Vede a Lua com que Deus nos acaricia esta noite!» (Carlos G. Vallés)

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